domingo, 11 de agosto de 2013

Rapazelho



É que o pássaro não quis voar. Era um pássaro diferente. Como eu, era acostumado com a solidão. Passei uns meses observando-o, o canto daquele pássaro fingia ser um canto alegre, mas na verdade era daqueles cantos que por fora era contente e por dentro, era de choro. E todos temos dois lados: o de dentro e o de fora, e os nossos eram iguais. Por dentro sofríamos e por fora sorriamos. E meu deu dó. E comecei a perceber que as pessoas que mais tinham contato comigo, também poderiam estar com dó de mim, porque minha solidão também era estampada na minha testa. E o meu choro interno era alto, era como o canto belo e alto de um pássaro querendo um outro pássaro, era um canto de alegria, mas por dentro era somente a solidão acompanhado de uma pequena esperança, e a esperança é um sentimento que também nos fazem tristes. É um sentimento que nos faz criar expectativas, e as expectativas, vocês sabem, sempre nos machucam.


#Enfatizes 

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