quinta-feira, 15 de agosto de 2013

D C Monroe


Me deixa ali na esquina.
Sua voz me lembra a chuva. E saudade também. E é impressionante como as coisas inúteis tem um grande poder sobre as pessoas, tipo chorar com uma musica ou tentar esquecer alguém. Ou chorar tentando esquecer alguém ouvindo uma musica. O fato é que as pessoas acreditam que o amor seja uma patologia sem cura. Freud acreditava que amor é só uma paixão que age no psicológico criando uma imagem idealizada (perfeita) de alguém. Com o tempo, essa imagem vai se fragmentando, e você acaba enxergando defeitos que antes não percebera. E se o que sobrar for o suficiente pra você continuar com essa pessoa com os defeitos que hoje você enxerga e/ou tolera, o que sobra será o necessário pra um relacionamento duradouro. Se não, acaba e começa tudo de novo, com outra pessoa. Grande filho da puta.
Esquece essa história de amor. Esquece que tudo tem que ser agora, e que o amanhã é algo que se vive no ontem. Ou esquece que eu amo você e que você é tudo que sonhei numa noite mal dormida, e que a insônia desde esse dia tem o seu nome. Gosto de dar seu nome às coisas que me fazem mal ou, na melhor das hipóteses, me deixam sentado na cama vendo fotos antigas de três horas atrás.
Mas quer saber, você pode fazer tudo isso. Ou tirar minha roupa e aproveitar o banco detrás do carro comigo. Ou me deixa ali na esquina.

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