terça-feira, 13 de agosto de 2013

Augusto Soares


Porque parei de lhe escrever cartas? Bem, é uma questão fácil de se responder: cansei. Mas antes de explicar os motivos de tal, diga-me o motivo pelo qual deixou de amar-me, sim? Foi a minha antepadia pela solidão incoerente? Ou será o meu acúmulo de romantismo? Sei que não irá responder. É patético procurar respostas em finais tão sombrios quanto o nosso. E sobre as cartas, eu as escrevias com a maior dedicação e empenho do mundo, mas elas não tinham nem metade do valor para ti como tinham pra mim. Eu estava expondo meus sentimentos mais cruéis naqueles papéis sujos de uma alergia cansativa e promíscua. Você nunca entendeu que eu te ligava para acalentar a tua dor em meu coração e fazer com que passa-se por mais um obstáculo. Você nunca compreendeu a minha analogia sobre o amor. Nunca entendeu nada sobre mim. 
No começo, as cartas, eram escritas para lhe demonstrar a saudade que exorbitava em cada batimento do meu frágil ser, mas depois elas foram sendo revigoradas; foram surgindo outros sentimentos. Os de culpa eram os piores. Transparecia para todos que eu estava perdendo o controle de meus atos. Num determinado dia, mandei minha mãe ir pra puta-que-te-pariu e trazer você de volta. Outra hora - pra tentar te tirar do meu coração -, fui plantar milho em pleno inverno de menos cinco graus. Estava perdendo a linha do meu raciocínio, como agora. Queria com esta carta, lhe demonstrar que não aprendi a viver sem você, mas eu tento. Não, não é o melhor pra mim, como pensas. É ruim. Quando você saiu pela porta de trás do meu peito, tive que quebrar metade do meu coração, pois a sala de festa sempre foi da gente. Eu tive que jogar fora todas as minhas vestes que usava contigo. Neste tempo, desaprendi a caminhar sob o relevo da noite; aparentemente, perco-me nestas avenidas lhe procurando. Meu oculista disse pra mim usar óculos, pois estava ficando cego. Pobre médico: não compreendi que minha cegueira é a falta do teu afeto. Eu estou me deteriorando, mas coloco um sorriso no rosto e engano a tua tristeza. Não quero lhe deixar triste, pois o mundo precisa ver este belo sorriso que tens. Você, precisa embelezar este caos que chamamos de “casa”. Eu tive que aprender averiguar todas as noites suas fotos para ver se, por algum instante, você não voltava para mim. Virei um guarda noturno, também. Vigiava você em cada rede social. Relia cada sms. Lembrava e chorava, cada lágrima que já deixei cair sob você. Para minha mãe, eu sou somente um menino alegre a procura da felicidade; mas na verdade, sou só alegre ao teu lado. Eu comecei a diagnosticar que quanto mais os dias passam, mais a dor do teu abandono grita dentro de mim. O mundo perdeu a graça para mim. Tive que aprender a viver num mundo preto e branco, sem você. Tive que averiguar minha rotina e encontrar alguma graça, mas (confesso), sem você, não tem graça alguma. Com o teu abandono, tive que aprender a viver sem mim. Eu sou tanto a gente que desaprendi a viver sem o teu chamego. Eu tive que aprender a viver com um abismo dentro de mim. Eu tive que aprender a ser mais uma estrela sem luz. Eu tive que me acostumar a viver numa escuridão perpétua e sem você. Você, sempre foi minha luz, e agora, encontro-me em trevas absolutas. Eu transformei-me num universo sem estrelas.


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